Tem chuva porque tem floresta ou tem floresta porque tem chuva?

Um artigo publicado na revista  Proceedings of the National Academy of Sciences mostra que as plantas desempenham papel importante para o início da estação chuvosa.

floresta                Clouds over the Amazon.   Antisana/Alamy Stock Photo

Dr. Rong Fu, cientista climático da Universidade da Califórnia, e seus colegas utilizaram o satélite Aura, da Nasa, para observar o vapor de água sobre a Amazônia. A umidade que vem do oceano é mais leve do que o vapor de água liberado pela floresta, por conta da alta quantidade de um isótopo pesado de hidrogênio, denominado deutério. Durante a evaporação da água no oceano, o deutério fica para trás, deixando a umidade mais “leve”, enquanto na floresta, esse isótopo está presente no vapor d’água liberado pelas plantas. Além disso, o teor de deutério foi mais alto no final da estação seca da Amazônia, durante o período “verde”, quando a fotossíntese foi mais forte. Fu e seus colegas acreditam que as nuvens de chuva induzidas pela floresta, no final da estação seca, podem provocar a circulação de ar na região, provocando mudanças nos padrões de vento que trarão umidade do oceano.

O estudo apóia a ideia de que as plantas desempenham um papel importante no desencadeamento da estação chuvosa, diz Dr. Scott Saleska, um ecologista da Universidade do Arizona em Tucson, que não estava envolvido com o trabalho. A presença de deutério na umidade da floresta funciona como uma impressão digital, corroborando com a ideia de que a floresta contribui para o processo.

As conclusões que o estudo incita são de que o desmatamento pode interferir na regulação climática da região e que precisamos, sim, parar com o desmatamento da nossa floresta. Precisamos entender também que não é só o regime de chuvas que será afetado, mas também toda a biodiversidade que está adaptada à floresta e que dela depende. Consciência ambiental não é moda, é uma necessidade!

 

Fonte: PNAS, Science

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E o apêndice, pra que serve? Pra inflam- PERAÍ!!!

A maioria de nós conhece alguém que teve de fazer a cirurgia de retirada do apêndice. De fato, é uma complicação recorrente, mas que pode ser mortal se não atendida a tempo.

Para Leonardo da Vinci, o apêndice funciona como uma “válvula de escape” para o excesso de vento, o que evitaria uma explosão intestinal! Para a maioria das pessoas é uma parte do corpo completamente inútil que só mostra sua presença quando inflama.

Ele tem SIM uma função.

O tão temido e injustiçado apêndice vermiforme é uma parte do intestino que é oca, estreita [parece um dedo mindinho] e com um fundo cego. Durante o desenvolvimento embrionário, o apêndice do bebê em desenvolvimento serve como um centro de treinamento para que células imunes aprendam a identificar organismos ruins e a tolerar os microrganismos prejudiciais. Alguns cientistas estudaram a estrutura do apêndice e notaram  a presença de um tecido linfóide que é capaz de reconhecer coisas estranhas presentes nos alimentos ingeridos e, de alguma forma, sinalizar o sistema imune.

Um estudo publicado por cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, também aponta o apêndice como estrutura de proteção, onde este é usado como um depósito de bactérias benéficas ao organismo. Por exemplo: após uma diarreia bem “tensa”, que fez o indivíduo bancar o rei do banheiro, ou após algum tipo de ataque no intestino grosso, a nossa microbiota intestinal pode ser dizimada. É aí que entra o papel do apêndice. Ele libera as bactérias benéficas para o nosso intestino com o intuito de restabelecer a função e ocupar o território antes que bactérias patogênicas o façam.

APENDICEFoto: PortugalMundial

Em outros animais, como no Koala [conhecido por ter o maior apêndice], a estrutura, além de fazer a função dos seres humanos, também guarda microrganismos capazes de quebrar a celulose. Logo, muitos animais herbívoros possuem um apêndice de tamanho adequado e com função definida: ajudar na digestão das plantas, das raízes e dos frutos que consomem.
Evolutivamente falando, o homem, outrora, também possuiu um apêndice tão desenvolvido quanto o dos demais animais. Quando os ancestrais da espécie humana eram apenas herbívoros, o apêndice desempenhava essa função e, provavelmente, apresentava um tamanho maior e não apenas vestigial. Porém, a mudança da alimentação para uma dieta onívora, o órgão perdeu a função principal e atua mais como estrutura vestigial de defesa.

Contudo, todavia, no entanto, entretanto, não é por ter essa função que você deverá se recusar a extrair o apêndice se isso for preciso. Apesar de desempenhar uma função, o corpo humano tem meios de substituir essa função e manter seu corpo saudável. Como mencionado, a não retirada do apêndice quando este “adoece” pode acarretar em óbito, pois quando o apêndice estoura, muita inflamação extravasa para a cavidade abdominal, causando uma infecção ainda maior.

Leia mais em Scientific American Brasil e em Green Savers.

Bactérias Resistentes: Entenda como funciona

Antibióticos são compostos naturais ou sintéticos capazes de eliminar ou inibir o crescimento de fungos e bactérias. São compostos eficazes e muito confiáveis, pois não causam danos ao organismo se se utilizados da maneira correta.

antibioticos-receitaFoto: JornalGGN

A resistência a esses compostos é o que preocupa as autoridades em saúde. A cada notícia que sai a respeito percebe-se que essa questão está sem controle e sem previsões de ser resolvida.

Como ocorre a resistência?

Uma das possibilidades da resistência ocorre através da presença de plasmídeos. Muitas bactérias possuem uma porção de DNA extracromossomial, denominada plasmídeo, que pode conter genes que proporcionam vantagens à bactéria como, por exemplo, a resistência a antibióticos. O plasmídeo pode ser passado para outras bactérias por meio da conjugação, a reprodução sexuada das bactérias.

plasmideoFoto: Infoescola

Vou explicar de maneira bem resumida, para ser mais simples.

Imagine só: Uma pessoa fica doente. É infecção bacteriana. Essa pessoa é orientada a fazer uso de antibióticos durante uma quantidade de dias X. Dentro dessa pessoa, as bactérias se reproduzem assexuadamente e, também, de maneira sexuada. Algumas dessas bactérias possuem um plasmídeo contendo genes resistentes e, então, transmitem para as outras. Durante a ação do antibiótico, muitas bactérias que não possuem esse plasmídeo vão sendo eliminadas, e a infecção vai diminuindo. Chega um determinado ponto em que não há mais sintomas e a infecção já está, praticamente, curada. Essa pessoa, ao não perceber mais os sintomas, interrompe o tratamento antes do prazo de X dias determinado. No entanto, restaram bactérias vivas. Restaram as bactérias que continham o plasmídeo que confere resistência. Essas bactérias começam a se reproduzir e a infecção dessa pessoa retorna, só que dessa vez os antibióticos que ela tomou antes não fazem mais efeito, tendo que partir para antibióticos mais fortes e por um tempo mais prolongado. Por quê? Porque os antibióticos exerceram pressão de seleção natural, selecionando aquelas bactérias mais resistentes e mais adaptadas. Por fim, as bactérias podem se tornar resistentes por uma mutação genética ou pela aquisição de um gene de outro microrganismo, além de serem capazes de transmitir estes mecanismos de defesa entre elas.

latestFoto: Infomédica

Além disso…
Dentro dos hospitais, as bactérias tendem a ser mais resistentes, pois há um uso maior de antibióticos. A transmissão pode ocorrer de um paciente para outro, por meio de uma superfície contaminada ou até mesmo entre partes diferentes do corpo da mesma pessoa. Nesse segundo caso vale ressaltar que os hábitos higiênicos são as principais formas de prevenção.  Hospitais com infraestrutura precária e maus profissionais são brinquedos de um parque de diversões para essas bactérias. E, pensando bem, é muito fácil para uma bactéria sair do ambiente hospitalar e se espalhar.

Antibióticos podem, também, entrar em contato com  o organismo humano através da alimentação: pela carne, pelo esterco animal usado nas plantações, pela água potável. Rotineiramente os antibióticos são administrados para gados, porcos e galinhas nas fazendas, para fazê-los ganhar peso com menos alimento e impedir que fiquem doentes por estar em espaços confinados. Essa dosagem diária reduz as necessidades de alimentação. Reduz, também, a eficácia da droga e produz bactérias resistentes aos antibióticos, também conhecidas como superbactérias. São excelentes oportunidades encontradas pelas bactérias para desenvolverem resistência aos remédios. ainda são subestimadas. Ele defende uma ação determinada e coordenada dos órgãos internacionais de saúde.

Esse assunto é bem longo, então deixarei outras “bombas” para um próximo post.

Leia mais em Portal Fio Cruz

E com vocês…..Elysia chlorotica: a lesma fotossintética!! Fotoss….QUE?!?

Não acreditem mais quando lhes contarem que apenas vegetais, algas e algumas bactérias fazem fotossíntese!

[Leia a frase a seguir com voz de narrador do Animal Planet ou do National Geographic]

Nos pântanos de água salgada e mares da costa leste dos Estados Unidos vive Elysia chlorotica, um simpático molusco gastrópode que é capaz de realizar o complexo processo fotossintético.

Foto: Biological Science Graduate Program

Não lembra o que, demônios, é fotossíntese? Irei ajudá-l@.

Fotossíntese é o processo em que se utiliza luz para converter moléculas inorgânicas em moléculas orgânicas. Em termos práticos, moléculas de Gás Carbônico e de Água são transformadas em Açúcar. Além disso, esse processo libera Oxigênio, o ar que respiramos. No entanto, esse processo só ocorre quando há luz e os chamados “pigmentos fotossintetizantes”, como, por exemplo, a clorofila. Vegetais, algas e bactérias podem possuir mais de um pigmento, mas em geral, a maioria apresenta a clorofila. Essa molécula pode estar livre dentro da célula ou “aprisionada” em uma estrutura, denominada Cloroplasto, que é uma organela existente nas células de organismos fotossintetizantes [ainda ão foram encontradas evidências de cloroplastos em bactérias. A clorofila desses organismos é de um tipo especial, como, por exemplo, bacterioclorofila, e esta fica ‘solta’ no citoplasma da célula].

Pois bem, o fato é que estamos falando de uma lesma. Lesma é um animal, certo? Certo. A célula de um animal é diferente da célula de um vegetal, certo? Certo. A célula de um animal, em teoria, não possui estrutura fotossintetizante, certo? Cer…aí que está! Essa lesma burlou, enganou, trollou a ordem evolutiva da vida, adquirindo a capacidade de fazer fotossíntese. Como? Oras, ela tem todo o aparato e os reagentes necessários para realizar o processo: Gás Carbônico, Água [muita água!], luz, cloroplasto e clorofila. Desde 1970 essas belezuras são conhecidas pela sua capacidade em incorporar cloroplastos em suas próprias células após se alimentar de algas. No entanto, não basta só incorporar os cloroplastos, é necessário sustentar o processo fotossintético e, pela primeira vez, pesquisadores mostraram estudos que evidenciam tal feito.

Eles apresentaram provas de que os cromossomos da lesma possuem alguns genes provenientes das algas que come. Esses genes são responsáveis pela reparação de danos e por manter os cloroplastor ativos. Sidney Pierce, professor da Universidade do Sul da Flórida e da Universidade de Maryland, diz que: “Não há nenhuma maneira na Terra que possibilite que os genes de uma alga funcionem dentro de uma célula animal, mas nesta lesma, isso é possível. Os genes permitem que o animal utilize luz solar para obter sua nutrição. Então, se algo acontecer a sua fonte de alimento, eles têm uma maneira de não morrer de fome até que encontrem mais algas para comer.” Não é fantástico?!

A pesquisa não serviu só para demonstrar quão magnífica é a natureza e a adaptação dos seus organismos, mas também abriu portas para a pesquisa no âmbito médico. Conhecer como que ocorre essa transferência natural de genes poderia ser extremamente instrutiva para aplicações em terapias para tratamentos de doenças genéticas.

Leia mais sobre essa maravilha da evolução em Science Daily

Caracol que mata peixes com….INSULINA???

De “dócil” esse pequenino não tem nada!! Ele é uma das mais perigosas do mundo.

O Connus pannaeus, esse é o nome dele, é um molusco encontrado na costa Australiana [ah, novidade] (há uma espécie aqui no Brasil) possui um veneno poderosíssimo contendo diversos componentes, inclusive muitos desses encontrados em veneno de cobra. Há ~boatos~ de que uma gota desse veneno é suficiente para matar 20, VINTE, pessoas adultas. Vinte parece ser um número importante na vida desse caracol, pois foi esse o tempo necessário para que os pesquisadores pudessem sintetizar o composto que, atualmente, é um fármaco analgésico superhipermegapower poderoso. Em 70% dos ataques a humanos….Rest In Peace.

Mas vamos falar da outra parte medonha desse molusco maroto: a insulina mortal. Afinal, nunca haviam encontrado a insulina como composto no veneno dos animais. A quantidade de insulina é tão alta que é capaz de matar suas vítimas pela indução de uma queda colossal nos níveis de açúcar no sangue. Só para recordar [porque recordar é viver] que a insulina é um hormônio fundamental no controle da glicemia, fazendo com que as células absorvam o excesso de glicose do sangue. Logo, uma “overdose” de insulina não é algo nem bonito de se falar.

Você, leitor, já teve alguma queda nos níveis de açúcar? Se já, terá uma pequena, muito pequena, amostra de como o peixe se sente. Se você nunca passou por isso, imagine uma sensação de que “já está prestes a desmaiar” ou algo parecido com uma queda de pressão. Bem, o peixinho quando em contato com o veneno (que é injetado por um dente quitinoso) entra em choque hipoglicêmico, o que facilita a captura por parte do caracol do mal.

Leia mais sobre o nosso “doce” caracol em Jornal Ciência

Queimada Grande: a ilha paulista considerada uma das mais perigosas do mundo, mas que nos dá uma aula de evolução

AVISO IMPORTANTE
Se você tem fobia de cobras eu sugiro parar de ler por aqui!

Conhecida como Ilha das Cobras, a Ilha da Queimada Grande fica a 35 km do litoral paulista e é considerada uma das mais perigosas do planeta. Por que? Simples. Estima-se que na ilha tenha uma população de cinco serpentes por metro quadrado de uma espécie conhecida como jararaca-ilhoa, Bothrops insularis, uma das mais venenosas do mundo. Além disso, a ilha é inabitada e o desembarque é proibido. O acesso só é permitido a cientistas.

Ilha-de-Queimada-Grande-02

No entanto, meus caros, o que chama atenção nessa ilha é a aula de evolução que ela nos dá. Sendo assim, vamos aos fatos.

Em evolução, chamamos o evento que dá origem a uma nova espécie de especiação. A especiação pode ser, alopátrica, simpátrica ou parapátrica.
Especiação alopátrica ocorre quando uma barreira geográfica divide uma população, impedindo o fluxo gênico.
Especiação simpátrica ocorre sem que haja separação geográfica. É um tipo raro de especiação que ocorre quando duas populações de uma mesma espécie vivem em uma mesma área, mas não ocorre cruzamento entre as populações, em decorrência de alguma modificação genética impediu esse intercruzamento.
Especiação parapátrica ocorre quando duas populações de uma mesma espécie diferenciam-se e ocupam áreas contíguas ecologicamente distintas. O intercruzamento é possível com geração de prole híbrida.

A ilha de Queimada Grande teria se formado há 55 milhões de anos, em um desdobramento das origens da Serra do Mar. No término da última glaciação da Terra, entre 10 mil e 12 mil anos atrás,  a área acabou cercada pelo mar, em decorrência da elevação no nível dos oceanos. A maioria dos animais migrou para o continente. Os demais, impossibilitados de nadar, ficaram ilhados, sobrevivendo apenas aqueles que puderam se adaptar às condições da ilha.

A população de serpentes, que provavelmente eram da mesma espécie do continente – Bothropoides jararaca –, ficou ilhada. Sem suas presas usuais, geralmente pequenos mamíferos, as cobras precisaram recorrer às aves, a principal presa disponível.  Essa mudança brusca de padrão alimentar forçou alterações no comportamento, como a adaptação à vida arborícola (em cima das árvores). Além disso, ocorreram mutações genéticas que foram selecionadas pelo ambiente ao longo dos anos e que desenvolveram toxinas mais poderosas, com veneno de 15 a  20 vezes mais forte que o da jararaca do continente. Isso deveu-se ao fato de que para matar aves era preciso um veneno eficaz, capaz de paralisar a presa com uma só picada, do contrário a ave voaria para longe. Originou-se, assim, a Bothrops insularis, ou a jararaca-ilhoa.

jararaca

Os eventos que você acabou de ler descreve uma especiação alopátrica, onde uma barreira geográfica isolou populações de uma mesma espécie e estas sofreram diferentes pressões, que com o  passar do tempo, fizeram com que ocorresse uma divergência genética e, consequentemente, o isolamento reprodutivo.

DEATH FACTS: O veneno da jararaca-ilhoa é tão potente que ao entrar na circulação de uma pessoa, a mata em questão de poucas horas, pois provoca falência múltipla dos órgãos. Além disso, a ação enzimática faz com que a área da mordida…derreta!

Leia mais em NatGeo
Fotos: NatGeo

A vespa que defende seu ninho com….os cadáveres de suas presas

A Deuteragenia ossarium,  AKA* “Vespa Ossário”, é uma espécie de vespa que possui um hábito um tanto quanto mórbido de proteger seu ninho: enchendo ele com cadáveres de formigas.

A vespa fêmea não é a representação mais fiel do papel de mãe que presenciamos no mundo animal, como aquelas que carregam e lambem suas crias. Pelo contrário. Após a postura dos ovos, em cavidades ocas de árvores ou em buracos no solo, ela, simplesmente, enche o buraco de formigas , dá um “FLW GALERA” para os filhos e….vaza.

Mas ela não é tão desnaturada assim. Cada ovo possui seu espaço individual dentro do buraco. É mais ou menos como cada bebê ocupando um berço em uma maternidade. A “porta da maternidade” é fechada com os corpos das formigas recém abatidas.

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Foto: PhysOrg

Esse comportamento nunca foi observado na natureza até agora e, quer saber? Funciona que é uma beleza!

A equipe de pesquisadores liderada por  Michael Staab, da Universidade de Friburgo, da Alemanha, coletou 800 ninhos na região sudeste da Ásia. Desses 800 ninhos, os 70 que possuíam o cemitério de formigas sofreram uma taxa bem inferior de parasitismo se comparados aos ninhos desprotegidos.

Eles suspeitam que as formigas em decomposição liberam feromônios para outros insetos como sinal de “CUIDADO!! This bitch is crazy”, o que, aparentemente, afugenta os possíveis predadores.

Seria bem macabrinho se as formigas…se transformassem em zumbis!

Quer saber mais sobre os hábitos macabros dessa vespa? Acesse PhysOrg e Gizmodo

* AKA: Also known as, também conhecido como

Conheça a lagosta-boxeadora: um dos animais mais violentos do planeta

Pra você que ficou rindo do título do post, prepare-se: você está prestes a conhecer um bicho terrível, medonho, perigoso, sinistro, inclemente, iracundo, torvo, maquiavélico. Um dos bichos mais lazarentos que esse planeta abriga: Odontodactylus scyllarus, a lagosta-boxeadora.

olhobonito29Foto: MundoInteressante

Você deve ter pensado “OWNTTT,  AWNN, MI MI MI”, mas não se engane, meu caro. Todas essas cores e esses olhos sedutores estão à sua espreita, esperando para lhe dar um “boxe” na primeira oportunidade! Vamos começar com uma breve descrição dessa ominosa criatura.

Os olhos
Nós, seres humanos, contemos milhões de células fotorreceptoras nos olhos, entre elas os cones, que são as que nos permitem ver cores. O olho humano possui 3 tipos de cones, que respondem à luz azul, verde e vermelha (nos permitindo perceber o espectro de cores que vemos). Cães possuem 2 tipos de cones: verde e azul. As borboletas possuem um pouco mais: 5 tipos. Ou seja, as borboletas percebem cores que nosso cérebro é incapaz de interpretar. Contudo, a lagosta boxeadora possui 16 desses cones. Eu disse 16, DEZESSEIS, XVI, tipos desses fotorreceptores. Provavelmente o cérebro humano ‘bugaria’ com essa variedade de cores.

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Foto: IG

Tamanho, área de ocorrência e hábitos alimentares
São animais pequenos, medindo entre 15 e 30 cm. Mas já vou alertá-los: tamanho não é documento MESMO! Costumam habitar a costa de mares tropicais e subtropicais, como, por exemplo, a costa oeste da Austrália (bizarro seria se ela NÃO fosse encontrada por lá). Quanto às comidinhas, as lagostas-boxeadoras se alimentam de outros crustáceos, moluscos e peixes.

Agora que já sabemos algumas características fundamentais, vamos falar do que realmente interessa nesse post: o boxe da lagosta ninja.

A lagosta-boxeadora possui duas poderosas patas dianteiras que, quando acionadas, são capazes de impelir um golpe com aceleração equivalente a de um disparo de uma arma do calibre 22 e força de impacto de 60 kg/cm3.  Para se ter uma ideia, o soco dessa maldita é capaz de quebrar as duras carapaças calcificadas dos crustáceos e o vidro dos aquários de água salgada. Ah sim, tudo em menos de 1/3.000 de segundo, OK?! Mas como assim?? É isso mesmo que você leu. Se e um humano pudesse acelerar os braços com 1/10 desse poder, seria possível lançar uma bola de baseball em órbita ao redor da Terra. Vai lá, tenta fazer isso.

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Foto: Smithsonian

Além do mais, essa rápida movimentação das patas faz com que a água próxima à lagosta quase alcance o ponto de ebulição. Esse fenômeno hidrodinâmico é conhecido como supercavitação, que é produzido quando um objeto se move a uma grande velocidade em um fluido líquido. Essa água quase fervida ao redor produz bolhas que emitem uma onda de choque. Ou seja, se a maldita errar o alvo a sua presa ainda irá morrer. Dar de cara com esse bicho é o mesmo que dar de cara com a foice!

Os cientistas se interessaram tanto pela lagosta do boxe que estão fazendo estudos para desenvolver armaduras para tropas de combate e para produzir componentes ópticos mais eficientes, como aqueles para leitura de CD e DVD, por exemplo.

Ficou curioso? Leia mais no TopBiologia e no HypeScience.

Conheça o Pika: ele come “papel”, faz cocô e…come de novo!

O aquecimento global está aí. É um fato, apesar de negado diversas vezes por muitos conspiradores estudiosos. Grande parte dos biólogos conservacionistas veem o aquecimento do planeta como um ultimato às espécies que dependem do frio, como os grandes mamíferos e uma infinidade de plantas.

A espécie Ochotona Minor, conhecida como Pika, é um valente mamífero que pode ser capaz de sobreviver ao aquecimento do planeta, graças à uma fonte primária de alimento um pouco “rara”.

Foto: RyanPhotografic

Esses animais são típicos do frio, dos alpes americanos. São parentes de coelhos e lebres, da ordem lagomorfa. Eles possuem um metabolismo bem elevado, produzindo calor necessário para passar mais de dois dias em temperaturas que poderiam matá-los (25.5º C).

Um estudo descobriu que os pikas de altitudes mais baixas são capazes de prosperar em um planeta em aquecimento, adaptando seu comportamento.  A intrigada estudante Johanna Varner ficou tão fascinada ao ouvir os relatos desses animais que resolveu investigar. Nas montanhas, onde eles comumente são encontrados, os pikas passavam apenas 3 meses sem neve, enquanto nas baixas altitudes , a neve dura menos de 3 meses. Como eles sobreviveram ao clima da baixa altitude? Essa foi a pergunta chave para Varner iniciar sua pesquisa.

Nas observações, ela e seus companheiros constataram que os animais se alimentavam unicamente de musgos, que são uma fonte de alimento muito pobre, com baixos nutrientes. “Mamíferos normalmente não pode comer grandes quantidades de musgo porque é um alimento de baixa qualidade. Trata-se de 80 por cento de fibra, que é o mesmo que comer papel”, diz Varner.

Mas não é só isso.

Os pikas têm o hábito da coprofagia, que é um termo elegante para o hábito de comer cocô! Isso mesmo. Além do cocô “normal”, bolinhas durinhas e pequenas, os pikas também excretam pelotas cecais, que são maiores e mais úmidas que seu cocô. Essa mistura constituída de musgo e micróbios intestinais pré-digeridos são deliciosamente consumidos pelos próprios animais, pois compõem sua dieta.

“É a mesma ideia de uma vaca ruminando, a diferença é que eles usam o outro lado para produzir seus nutrientes”, diz Varner.

Leia em National Geographic

Good girl gone bad: bactérias

É velho e sabido que as bactérias são as ninjas da evolução. Elas existem desde os primórdios da humanidade e ainda estão aí, lindas e loiras, esbanjando adaptação e resiliência. Nunca antes na história natural um organismo foi tão vitorioso como as bactérias.

Um estudo conduzido no Instituto Gulbenkian de Ciência de Oeira observou como as bactérias evoluem de benignas para patógenas em resposta aos mecanismos imunológicos dos mamíferos.

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No estudo os pesquisadores descobriram que em menos de 500 gerações de bactérias (30 dias) estas se tornaram resistentes aos macrófagos e, ainda por cima, patógenas. Cepas de Escherichia coli foram misturadas em um mix contendo caldo nutriente e macrófagos. Em um controle, indivíduos da mesma cepa ancestral foram misturadas apenas em caldo nutriente. Por dia, uma amostra era retirada e analisada para observar possíveis mudanças fenotípicas. E foi o que aconteceu. A alteração fenotípica foi observada a partir do dia 4 em diante. Ao analisarem a interação dessas bactérias “mutantes” com os macrófagos eles descobriram que estas eram mais resilientes à digestão das células fagocitárias do que aquelas que não haviam apresentado nenhuma alteração. Ao infectarem ratos,eles também observaram que estas aumentaram sua capacidade de causar doença.

A pesquisa concluiu que a E. coli é capaz de se adaptar e resistir melhor aos macrófagos dentro de algumas centenas de gerações e que as características de patogenicidade emergem rapidamente nesse período.

Leia em ScienceDaily