Formigas Zumbis

Formigas carpinteiras da espécie Camponotus leonardi , típicas de florestas tropicais, quando infectadas pelo fungo parasita Ophiocordyceps unilateralis têm seu comportamento completamente alterado. Elas se tornam indivíduos errantes sem controle pelo próprio corpo. Elas se tornam zumbis!!

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Como isso ocorre?

A formiga ao entrar em contato com o corpo de frutificação do fungo (pode ser por coleta direta dos esporos ou por dispersão dos esporos pelo vento) introduz os esporos em seu sistema. Dentro do corpo da formiga o fungo cresce, atingindo os músculos e o sistema nervoso. O fungo manipula a formiga, fazendo com que ela caminhe aleatoriamente, a incapacitando de encontrar o caminho de casa (comportamento que não acontece em formigas operárias saudáveis). Esse comportamento faz com que a formiga caminhe, colete esporos de outros indivíduos zumbis e depois se encaminha para um lugar propício para o crescimento do fungo.  Essa é uma das formas de controle do fungo.

A outra forma de manipulação acontece quando as células fúngicas se multiplicam na cabeça da formiga e tomam o controle do mecanismo “abre-fecha” de sua mandíbula. O fungo manipula a formiga para que esta “morda” a veia principal da parte de baixo da folha, a incapacitando de soltar mesmo após a sua morte. Poucos dias depois, o fungo gera um corpo de frutificação na cabeça da formiga, que libera esporos para ser apanhada por outra formiga errante.

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Em resumo,

  1. O fungo toma o controle do corpo da formiga
  2. Força para que ela colete seus esporos
  3. Encaminha a formiga para o lugar propício para seu crescimento
  4. Atinge o mecanismo abre-fecha da mandíbula, para que ela morda a folha e não solte mais (e se estabeleça no lugar).
  5. Crescimento do corpo de frutificação na cabeça da formiga

Mas o mais legal é o que mostram pesquisas recentes. Quando o fungo não consegue infectar o corpo da formiga, este deixa os seus esporos “descansando” no chão até crescerem na vertical, onde podem agarrar as formigas que passam pelas patas. É como uma cena de filme de terror, em que o zumbi projeta seu braço para fora de sua cova e agarra o pé da mocinha no cemitério. Sinistro!

A maior parte das pesquisas foram conduzidas nas florestas tropicais da Tailândia, mas, para nossa alegria, o cientista responsável pela pesquisa, David Hughes, identificou na Floresta Amazônica (do território brasileiro) quatro espécies do fungo Ophiocordyceps.

O Brasil é um país tão diverso que agora estamos tratando de identificar as espécies zumbis do nosso território. Zumbi dos Palmares Aprova essa ideia!

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Clique aqui para ler o artigo da NatGeo e aqui para ler o artigo do The Guardian.

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em abril 17, 2013, em What's up? e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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