X-Mouse: Novos horizontes para regeneração de membros e tecidos perdidos

Já é velho e sabido o fato de que salamandras regeneram seus membros perdidos. Assim como o personagem da Marvel Comics, o Wolverine! Regeneração de tecidos e órgãos perdidos é característico de vários grupos de seres vivos, além da salamandra [e do Wolverine], como equinodermos, nematelmintos e anelídeos . Bom para eles, né? Até que um simpático e espinhoso ratinho africano contribui com a diversidade desse fantástico grupo. E está contribuindo também para a medicina.

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Na edição de 26 de setembro do ano passado, a revista Nature publicou o artigo do pesquisador Ashley Seifert sobre a capacidade regenerativa de um rato do gênero Ascomys. Regeneração de pele e glóbulos é completamente diferente da regeneração de tecidos. Quando quebramos um dedo, nosso corpo apenas “veda” o local com tecido cicatricial, comparado ao que acontece com as salamandras, que regeneram órgãos e membros inteiros, inclusive o seu cérebro, diz Seifert.

Em um caso de corte com profundidade muscular, Seifert esclarece que esses roedores não recuperam o músculo perdido, mas sim estimulam o crescimento de folículos capilares e de pele no local da lesão, sobre o músculo.

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No caso do tecido da orelha, após diversos furos o ratinho regenerou a cartilagem e os folículos capilares sem deixar cicatrizes.Imagem

Mas o que mais intrigou o pesquisador foi a capacidade desse roedor em produzir um tecido temporário chamado de blastema (agregado de células semelhante às células tronco que atuam no processo de regeneração) para atuarem na reconstituição desses tecidos perdidos. Isso ocorre em indivíduos autótomos, como salamandras, lagartos e lagartixas.

Após uma série de cortes, regenerações e estudo baseado em reconstituição celular, Seifert pensa que a incapacidade de formar o blastema seja a principal causa da limitação da regeneração de apêndices e tecidos em seres humanos. As pesquisas continuam, só que agora em nível molecular, para descobrir quais mecanismos esses ratos usam para formar um blastema.

Isso significa um avanço importante no estudo da regeneração tecidual e contribui para a esperança de milhares de amputados e incapacitados natos. A realização do sonho dessas pessoas só depende de acreditar e investir na pesquisa e no desenvolvimento científico.

Leia mais em HypeScience e em ScienceDaily.

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em abril 18, 2013, em What's up? e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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