História Natural da Terra: O Pré-Cambriano

Antes, vamos elucidar o que é Escala de Tempo Geológico.

É uma medição de tempo, que data desde a formação da Terra até o presente. Os dados para compor essa escala foram baseados em registros fósseis e eventos geológicos. A escala é dividida em Éons, maior subdivisão de tempo da escala; Eras, maior divisão de um éon; Períodos, divisão de uma era; Épocas, divisão de um período; e Idades, divisão de uma época. Não há concordância plena entre os cientistas quanto aos limites das divisões e suas respectivas nomenclaturas. Aqui, apresentaremos a escala baseada na versão 2013 do Quadro Estratigráfico Internacional da Comissão Internacional sobre Estratigrafia.

O Pré-Cambriano é o nome que se dá ao conjunto de Éons Proterozoico, Arqueano e Hadeano. Dá-se esse nome porque são os éons anteriores ao evento “Explosão do Cambriano”, que será abordado mais adiante.

Hadeano: o inferno na Terra

Desenho representando como seria a Terra no Hadeano

Pouco se sabe sobre esse éon, pois é o primeiro da escala geológica. Teve início logo na formação da Terra, e final há cerca de 4 bilhões de anos. É denominado “inferno”, pois no início o planeta não passava de uma bola incandescente, com erupções vulcânicas por toda a parte e rios de lava serpenteando pela superfície. A atmosfera era composta de gases hidrogênio, nitrogênio, amônia, monóxido de carbono e vapor de água (proveniente dos vulcões). Não havia sinais de oxigênio. Os bombardeios de asteroides e meteoritos complementavam a paisagem completamente caótica da época. As rochas não tomavam forma, pois eram constantemente inundadas e soterradas por fluxos de lava e impactos de asteroides. Foi nessa época que, teoricamente, um corpo atingiu o planeta e seus pedaços se consolidaram, constituindo o nosso satélite natural, a Lua. O processo de consolidação da crosta teria se iniciado nessa época, já que grãos de silicato de zircônio incrustados em rochas metamórficas da Austrália foram datados em até 4,4 bilhões de anos. Não há registros de seres vivos desse éon até então.

Arqueano: vida antiga

Desenho representando como seria a Terra no Arqueano

Diferentemente do éon anterior, o Arqueano possui uma quantidade interessante de informações. Teve início há aproximadamente 4 bilhões de anos e final há, aproximadamente, 2,5 bilhões de anos. É dividido em 4 eras: Eoarqueano (final em 3,6 bilhões de anos), Paleoarqueano (final em 3,2 bilhões de anos), Mesoarqueano (final em 2,8 bilhões de anos) e Neoarqueano (final em 2,5 bilhões de anos). Um oceano muito primitivo já estava formado. Continentes estavam em processo de consolidação, constituídos de granito e gnaisses boiando em um oceano de lava em processo de resfriamento, formando uma fina crosta. A atmosfera era muito pobre em oxigênio, mas isso não impediu que as primeiras formas de vida aparecessem. Os micro fósseis da fauna de Apex chert, Austrália, datam cerca de 3.465 bilhões de anos. Esses organismos eram bactérias filamentosas. Outros registros que chamam muita atenção são os Estromatólitos. Não são fósseis, e sim colônias de algas encontradas a África do Sul e na Austrália. Acredita-se que estes foram os responsáveis pelo aumento do oxigênio do planeta.

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Proterozoico: complexidade primitiva

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Teve início há cerca de 2.5 bilhões de anos e final há, aproximadamente, 541 milhões de anos. Foi o mais longo dos éons. Divide-se em três eras: Paleoproterozóico (final em 1.6 bilhões de anos), Mesoproterozoico (final em 1 bilhão de anos) e Neoproterozoico (final em 541 milhões de anos de anos). Essas eras subdividem-se em períodos, entre eles o rico Ediacarano (Neoproterozóico).
Esse éon é de extrema importância, pois foi nessa época em que ocorreram muitos dos principais eventos da história da Terra. Os continentes já se encontravam consolidados e estabilizados e já aconteciam as primeiras orogêneses (processo formador de montanhas). As primeiras glaciações ocorreram nessa época, e daí se montou a hipótese da Terra Bola de Neve, assunto para outro momento. Talvez o acontecimento mais importante seja o acúmulo de oxigênio na atmosfera, produzido pelas formas de vida do Arqueano. Com esse aumento, começaram a aparecer formas de vida mais complexas e avançadas. Logo no início, no Mesoproterozoico, os primeiros organismos com reprodução assexuada apareceram. Eram, em sua maioria, algas multicelulares. Isso só pode ocorrer porque a atmosfera do planeta protegia os organismos da radiação ultravioleta, nociva aos cromossomos. Ao final do Neoproterozóico, já existiam diversas formas tubulares e sésseis, de corpo mole, fossilizadas em leitos compostos de cinza e areia.

E assim foi o pré-cambriano. Mas era só uma mostra do que ainda estava por vir.

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em maio 3, 2013, em Natural Earth History e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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