A extinção dos rinocerontes de Moçambique: Por uma medicina que salva [deixando um rastro de mortes]

A antiga medicina oriental é famosa pelas suas crenças e curandeirismos que já salvaram e curaram milhares de pessoas desde os primórdios da humanidade. Entretanto, podemos a partir de agora perceber um lado assombroso dessa medicina: o massacre de animais para uma cura “milagrosa”.

Nos anos 70 e 80, existiam entre 60.000 e 70.000 rinocerontes negros na África. Atualmente, no território, são encontrados cerca de 20 mil rinocerontes brancos e 5 mil negros. Só para complementar o raciocínio, no ano passado 668 rinocerontes foram mortos na África do Sul. Esse ano baterá recorde, pois em três meses mais de 128 animais já foram abatidos. Com esses números podemos ter uma noção do quão exploratório e abominável é o mercado dos chifres de rinoceronte.

Foto: WWFFoto:WWF

Apesar de suas propriedades medicinais e afrodisíacas, nada justifica essa matança desnecessária. Matar um animal para tirar proveito de uma parte de seu corpo e deixá-lo agonizando até a morte não é uma coisa racional de se fazer. É o mesmo o que se passa com os caçadores de tubarões, que arrancam as barbatanas do bicho, descartam o resto do corpo ainda vivo no mar [sem chance de sobreviver] para vender por um valor absurdo a restaurantes que servem uma sopa afrodisíaca. AH, POR FAVOR NÉ?!

Uma loja de Medicina Tradicional Chinesa, em Taipei, Taiwan. [Foto:Karl Ammann]

Situações como essas são revoltantes, pois no caso dos chifres dos coitados dos rinocerontes seria muito mais simples, sustentável e amigável manipular o princípio ativo da substância afrodisíaca, medicinal, seja lá o que for, e fabricar como a maioria dos medicamentos.

O motivo desse post é a notícia publicada ontem, sugerida a mim pelo meu colega Denis Cavalcanti , sobre a extinção dos rinocerontes no território de Moçambique. Os últimos 15 indivíduos que viviam no parque Great Limpopo [área de conservação ambiental!!!] foram encontrados mortos no mês passado. Não é só isso, os suspeitos são os próprios guardas florestais da reserva, os quais deveriam zelar pela proteção da vida animal.
Se legalizarem o tal mercado dos chifres a situação melhora, como alguns já sugerem. Mas mesmo assim continuará a ilegalidade. É assim com a maioria das coisas: sempre haverá o lado ilegal acontecendo.

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Pois é, caros leitores, a cada dia que passa coisas como essas me fazem acreditar menos na melhora das coisas. Para esse caso, a única sugestão viável é que protejam [de fato] esses animais e que proíbam de uma vez por todas esse mercado. Se para que as tradições antigas e as crenças populares sejam mantidas é necessário que se abdique totalmente do senso de razão e racionalidade, é melhor que estas desapareçam e que se tornem apenas história cultural.

Leia mais em UOL, Natural History, Planeta Bicho.

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em maio 4, 2013, em What's up? e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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