O destino da humanidade depende das abelhas: O que está acontecendo com elas?

As abelhas são insetos sociais que vivem em colonias, funcionando na base de um complexo e organizado sistema. Em cada colmeia vivem cerca de 80.000 indivíduos e cada colônia é “reinada” por uma rainha (a única reprodutora da colmeia), centenas de zangões e milhares de operárias. Disciplinadas, as operárias não reproduzem, pois devem prestar todo o suporte à rainha. Se alguma outra rainha aparece, elas lutam pelo comando da colmeia.

As abelhas, assim como outros insetos, são seres cruciais para o ecossistema, pois são polinizadores de diversas espécies, tanto as silvestres como as de interesse agrícola. Também são indivíduos vitais para alimentação dos seres humanos, principalmente pela produção de mel e própolis. Porém, nos últimos anos, fenômenos estranhos vêm acontecendo e estão fazendo com que as abelhas desapareçam e morram. Isso afeta a apicultura, a agricultura e a saúde das pessoas.

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Colony Collapse Disorder, ou desordem de colapso de colônia, é uma síndrome observada ao longo da história da apicultura e que se intensificou m 2007/2007. Se trata de uma infecção viral, que afeta os insetos a nível genético, e parasitismo, por um ácaro do gênero Varroa (que também é hospedeiro de vírus que afetam abelhas). Quando afetadas, as abelhas abandonam as colmeias, desaparecem e morrem. Em caso de parasitismo, o ácaro consome a hemolinfa, causando infecção e morte da abelha. No entanto, estudos recentes mostram que não é só o vírus o culpado por esse desaparecimento e morte das abelhas. A intensificação do uso de agrotóxicos, perda de habitat, desnutrição e uso de aparelhos celulares nas proximidades das colmeias também estão associados a esses fenômenos.

Celulares
Cientistas na Suíça acreditam que uma das causas desse fenômeno é o sinal proveniente dos celulares. Segundo os pesquisadores, o som que os celulares emitem quando em uso confundem os insetos, fazendo com que voem desordenadamente, levando-os à morte.

A monocultura
A falta de variedade na dieta das abelhas causa deficiência nutricional. Isso reflete na reprodução, nas taxas de natalidade, nas funções ecológicas das abelhas e na própria produção de mel.

Perda de habitat
A destruição dos habitats desses animais pode ocorrer de diversas formas. A mais comum é a   derrubada de árvores, forçando as abelhas a procurarem outros lugares, podendo resultar em perda de variabilidade genética e enfraquecimento da prole.

Agrotóxicos
Alguns pesticidas neonicotinóides, usados em cultivos de arroz, algodão, batata, hortaliças e pomares, quando absorvidos pelas abelhas através do néctar e do pólen prejudicam o sentido de navegação e crescimento de rainhas. Ao afetar as rainhas, a produção da colmeia vai diminuindo até parar completamente.

Quais os riscos do desaparecimento das abelhas para a vida, como um todo?
Uma vez que as abelhas atuam como importantes polinizadoras, seu desaparecimento comprometeria a base da alimentação de muitos animais e, em decorrência, a alimentação humana. Os índices de desnutrição aumentariam, bem como os índices de doenças, pois com o sistema imunológico enfraquecido pela falta de nutrientes, o corpo se torna vulnerável a infecções. Prevalecendo por muito tempo essa situação, a cadeia alimentar não se sustentará,  oferta de bens e serviços do meio ambiente continuará decaindo até que e, por consequência, a humanidade não resistirá e verá seu fim. [Não é exagero. São fatos descritos por entendedores e pesquisadores do assunto].

Na última semana, a Comissão Européia proibiu parcialmente o uso dos pesticidas que afetam as abelhas. Aqui no Brasil esse fenômeno das abelhas também existe, mas infelizmente o lobby do agronegócio é mais forte que a agência ambiental, e esta teve voltar atrás na proibição do uso desses agrotóxicos e ceder às reclamações.

Essa batalha contra os fabricantes de agrotóxicos é tão antiga quanto a pedra lascada!!!
É verdade! Enquanto não houver um acordo para que ambas as partes saiam felizes, não haverá maneira de se retardar os efeitos e, muito menos, acabar com ele. Todos sabemos dos problemas dos agrotóxicos, mas isso não é o suficiente para que o lobby que move o país [agronegócio] abdique de seus ganhos. É completamente compreensível a necessidade do uso de pesticidas, herbicidas, fertilizantes, e até da engenharia genética em prol da agricultura. A questão é que cada vez mais os efeitos adversos caem sobre o ecossistema e atinge a saúde das pessoas. Ou muda-se a metodologia de controle para uma que não agrida tanto, fazendo uso inteligente dos pesticidas, ou vamos acabar vivendo em um mundo de pragas cada vez mais resistentes e agrotóxicos cada vez mais fortes e prejudiciais.

Foto: Revista Galileu

Salvemos as abelhas.

Leia mais em Revista Globo RuralÉpoca, Revista 39, Galileu Diário Verde

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em maio 6, 2013, em What's up? e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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