HIV: Nova descoberta sugere alternativa para as terapias atuais

O Vírus da Imunodeficiência Humana, ou simplesmente HIV, é um retrovírus, da família Retroviridae, subfamília Lentiviridae. É o vírus causador da AIDS.

Foto: Plataform

Mas vamos esclarecer uma questão que ainda causa muita confusão:
Ser portador de HIV não é a mesma coisa que ter AIDS. Muitas pessoas vivem anos com o vírus incubado, sem apresentar nenhum sintoma de AIDS.

Retornando, vamos à descrição da infecção.

O HIV age no interior dos linfócitos T-CD4+ (uma das principais células do sistema imune). Dentro dos linfócitos, o RNA do vírus interage com o DNA do hospedeiro, transformando essa célula em uma incubadora viral.

  1. O HIV se adere à superfície da célula hospedeira por meio de proteínas da membrana de ambos, que se “reconhecem” e facilitam a entrada do vírus.
  2. O HIV possui uma enzima denominada Transcriptase Reversa, que tem o papel de transformar o RNA viral em um DNA viral. Ao entrar na célula, o capsídeo se descompõe, o RNA sai, a transcriptase age e o transforma em DNA.
  3. O DNA viral entra no núcleo do hospedeiro, e lá se integrará ao DNA deste..
  4. Então, no processo de tradução do DNA, onde os genes são traduzidos em proteínas, as proteínas necessárias ao vírus são traduzidas, devido à “fusão” do DNA viral ao DNA do hospedeiro.
  5. O hospedeiro começa, então, a produzir células virais, e a cada replicação da célula hospedeira infectada, outra célula infectada é gerada.

ImagemAs atuais terapias diminuem a reprodução do vírus em seu estágio inicial e inibem a ação da transcriptase reversa.

No entanto, essa semana foi publicado um estudo que pode mudar o rumo das terapias e ajudar no tratamento dos doentes. Pesquisadores da Universidade de Pittsburgh, EUA, utilizaram um supercomputador de alta resolução e, pela primeira vez, descreveram a estrutura do capsídeo (capa proteica que envolve o RNA viral). Nessa estrutura, eles constataram que uma complexa rede de proteínas interligadas envolve e protege o material do vírus.
Segundo Paijun Zhang, professora associada do Departamento de Biologia Estrutural da Escola de Medicina da Universidade Pittsburgh, o capsídeo deve permanecer intacto, para proteger o material genético do vírus, e ser capaz de se desfazer para a liberação do RNA viral no hospedeiro. Ou seja, metade do ciclo de infecção do HIV depende do capsídeo. “O desenvolvimento de fármacos que causem uma disfunção do capsídeo, poderá impedir a reprodução do vírus”, explica a cientista no comunicado.

Os estudos continuarão com o propósito de identificar as proteínas e o comportamento dessas nessa complexa rede de interações moleculares, responsáveis pela estabilidade do capsídeo.

Capsídeo HIVImagem 3D do Capsídeo do HIV: Beckman Institut/Illinois University 

Para saber mais acesse Veja, Nature Journal, G1, InfoAbril e Upesp (informações de ação viral)

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em junho 1, 2013, em What's up? e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: