A Ilha de Lixo do Pacífico: Milhares de toneladas de lixo flutuando no oceano

Batizada de “O Grande depósito de lixo do Pacífico, ” (The Great Pacific Garbage Patch), essa massa de lixo está localizada no em uma região entre as ilhas havaianas e a costa oeste dos Estados Unidos, em uma região chamada Giro do Pacífico. Vamos entender a física dessa região.

Um giro oceânico é definido como um sistema de correntes marítimas rotativas, relacionadas com o movimento das massas pelo Efeito Coriolis. Pois bem, no Oceano Pacífico, em sua porção norte, há um giro composto por 4 correntes oceânicas: a Corrente do Pacífico, a Corrente da Califórnia, a Corrente Equatorial Norte e a Corrente Kuroshio. Essas correntes se movimentam em sentido horário, formando um giro contínuo. Veja na imagem:

Imagem

Existem outros 4 giros oceânicos de grandes correntes, e alguns outros giros menores. Todos eles apresentam uma característica em comum, o que muda é sua localização, seu sentido e suas correntes. A característica a que me refiro é a concentração de resíduos no interior dos giros, que “segura” a sujeira. Nesse caso, vamos falar do giro do pacífico norte, onde a concentração de resíduos é maior.

Chega a ser fantástico pensar em um depósito de lixo no meio do oceano. Ainda mais em águas pouco navegáveis, do ponto de vista econômico e turístico, como é o caso da porção norte do Pacifico. Pois isso existe, meus caros, e como falei no início, a área foi batizada de “O Grande Depósito de Lixo do Pacífico”. O “lixão” teve sua existência confirmada pelo oceanógrafo Charles Moore durante uma competição de barco a vela em 1997 [o órgão norte-americano National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) já havia previsto a ocorrência a partir dos resultados obtidos por pesquisadores que, entre 1985 e 1988, mas ainda não haviam testemunhado os fatos].

O pesquisador se pergunta “Como nós conseguimos sujar uma área tão enorme?”. Moore dedicou (e ainda dedica) anos de pesquisa nessa quinquilharia no oceano. Ele estima que até a descoberta, em 1997, a mancha já tinha 10 anos de existência. E continua a aumentar.

Mas como foi que ninguém percebeu isso antes? Simples, a sopa de imundície funciona como um iceberg, ou seja, há muito mais abaixo da água do que se pode quantificar. A mancha flutua rente à linha da água, o que a torna imperceptível pelos satélites. Experimente procurar pelo Google Earth, você não encontrará nenhum vestígio de poluição no azul do oceano.
Dentre os constituintes dessa sujeira toda, destacam-se os emaranhados de redes de pesca, garrafas, tampas, bolas, bonecas, calçados, sacolas plásticas, malas, restos de naufrágios e os mais variados tipos de plásticos. 90% corresponde aos plásticos, que demoram cerca de 300 anos para se decompor no meio ambiente. A origem é óbvia, mas vamos deixar clara aqui: 80% proveniente de aterros e despejos realizados por países banhados pelo mar, 20% proveniente de embarcações marítimas e plataformas petrolíferas.

Impactos ao ecossistema

A base da cadeia alimentar dos ecossistemas marinhos é o plâncton e o fitoplâncton. Nessa sopa, há mais plástico do que qualquer outra base natural de alimentação marinha. Essa concentração de lixo atrai os habitantes dos mares e aqueles que se alimentam desses moradores, como aves marinhas, que acabam ingerindo esses materiais extremamente prejudiciais ao funcionamento de seus organismos. Enquanto faziam um documentário sobre vida marinha, uma equipe da BBC encontrou plásticos que viajaram quilômetros até chegarem a uma remota ilha perto do Havaí. Lá, tartarugas acomodam seus ninhos no meio do lixo, o que compromete a sobrevivência de seus filhotes. Logo que nascem, os filhotes saem a procura de alimento em direção aos oceanos, e pelo caminho se deparam com os mais variados tipos de objetos, principalmente pontiagudos, que perfuram seus corpos e os fazem agonizar até morrer. Outros morrem porque ingerem o plástico, que os sufoca. Aparte desse documentário, outras imagens que rodam o mundo em campanhas para parar com a poluição dos mares causam revolta e, principalmente, dor na consciência pois cada um de nós, desde que nascemos, contribui para isso.

Fonte: Ararê

O que se tem feito a respeito

Ilha Artificial: Uma empresa holandesa quer coletar todo esse plástico e reciclá-lo para fazer uma ilha artificial, de aproximadamente 10 mil km2 (equivalente a uma cidade como Manaus) e capacidade para 500 mil habitantes. “Queremos levar o mínimo de coisas para a ilha. A princípio, tudo será feito com o lixo que encontrarmos na área”, diz o arquiteto Ramon Knoester. Ele ainda complementa que “A ilha não é economicamente rentável. Nós a vemos apenas como uma maneira de limpar a poluição causada pelo ser humano”. Esse trecho foi publicado pelo site Movimento Sustentável, em 2010.

Expedição “7º Continente”: Tem o objetivo de mapear a área contaminada para dar mais exatidão em sua extensão total, coletando amostras para definir a quantidade de detritos em meio ás partículas naturais. Será usado um captor produzido por alunos de Engenharia de Toulouse (sul da França) em cooperação com o CNES. O membro da Sociedade de exploradores franceses, Patrick Deixonne, quer tornar pública essa “catástrofe ecológica”, e por isso vai ao local para trazer imagens e observações científicas.

Limpeza: a NOAA tem sido contatada a respeito da limpeza de resíduos sólidos na “mancha de lixo” , contudo, as limpezas são mais difíceis de realizar do que parecem devido às características físicas e biológicas da região. Os esforços têm se concentrado nas regiões de costa, onde a NOAA e seus parceiros têm removido lixo marinho do Arquipélago Havaiano por mais de uma década. O foco são os resíduos sólidos grandes como as redes de pesca abandonadas. Desde 1996, mais de 600 toneladas de redes abandonadas foram removidas. Até o momento, nenhuma operação de remoção foi iniciada para remover partículas menores de resíduos sólidos.

Pode piorar ou pior que tá não fica?

Pode piorar, infelizmente, pois existem outras regiões semelhantes ao giro do pacífico, como os outro 4 giros: Giro do Pacífico Sul, Giro do Atlântico Norte, Giro do Atlântico Sul e Giro do Oceano Índico. Em janeiro, membros do grupo de defesa marítima 5 Gyres (5 Correntes) partiram para mapear a Corrente do Atlântico Norte. Eles suspeitavam que os mares do mundo estavam mais poluídos do que se pensava — uma grande mancha de lixo estaria à deriva entre as Ilhas Virgens norte-americanas e Bermuda, mas ninguém jamais a havia observado. Assim que a primeira rede de arrasto foi retirada da água, os piores temores da equipe se confirmaram: plástico. E assim foi até lotarem a embarcação. Tirar o lixo manualmente é impossível, pois a cada embarcação de lixo coletada, outras milhares são devolvidas ao oceano, O grupo continuará suas expedições até completarem os 5 giros oceânicos. Podemos ter a certeza de que os resultados serão semelhantes: quantidades imensas de lixo oculto sob as ondas azuis dos oceanos.

Três membros da equipe no convés do navio.

Saiba mais em: Planeta Sustentável, Terra Ciência, YouTube, Discovery Brasil, Blog BioCurioso, GeoMundo e Global Garbage. As informações sobre os giros oceânicos foram obtidos em sites de pesquisa acadêmica.

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em junho 4, 2013, em 4 a Better World e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Os humanos são seres burros, só enchergam a ponta do nariz?

  1. Pingback: Conheça a maior lixeira flutuante do mundo: o Oceano Pacífico

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