Hambúrguer é criado pela primeira vez em laboratório

“Vamos apresentar ao mundo o primeiro hambúrguer feito em laboratório a partir de células. Estamos fazendo isso porque a criação animais para abate não é boa para o meio ambiente, não vai suprir a demanda mundial (por comida) e também não é boa para os próprios animais” (Mark Post, chefe da pesquisa)

Essa proeza merece aplausos e um pequeno suspiro de alívio em relação aos animais. Diariamente, milhares de animais vivem precariamente, sofrem maus tratos e morrem de maneira agonizante em abatedouros clandestinos. Essa situação não é só alarmante, pois existem muitos abatedouros ilegais ou em situação irregular, mas também repugnante e amedrontadora. Tudo isso para suprir a necessidade diária de carne da população humana. O fato é que muitos dos nutrientes encontrados na carne são necessários à vida do ser humano. Além disso, ninguém vira vegetariano da noite para o dia, pois é um processo demorado, sofrido e custoso.

Pois bem, o fato que move esse post é a recente notícia da produção do primeiro hambúrguer de laboratório. O dinheiro para a realização da pesquisa foi doado pelo co-fundador do Google, Sergey Brin. O experimento foi conduzido pelo professor Mark Post na Universidade de Maastricht, na Holanda, há poucos quilômetros de Amsterdã.

Dr Mark Post with his lab-grown hamburger
Crédito: David Parry/EPA

Em resumo, a produção deu-se na seguinte forma:
1. Extração das células musculares de uma vaca.
2. As células são colocadas em um meio de cultura, com os nutrientes necessários para promover o crescimento e multiplicação das células.
3. Três semanas depois, as mais de um milhão de células-tronco geradas são divididas e colocadas em recipientes menores.
4. As células já crescidas se transformaram em pequenas tiras de músculo.
5. As pequenas tiras são então coletadas e juntadas em pequenos montes, que então são congelados.
6. Quando alcançam uma quantidade suficiente, elas então são descongeladas e compactadas na forma de um hambúrguer antes de serem cozidas.

Lab-grown beef hamburgerCrédito: David Parry/EPA

Quais são os benefícios reais da produção de carne em laboratório?
Um estudo de Oxford feito em 2011 estimou que, se a carne de laboratório fosse apreciada e mais consumida pela população, em relação à carne “de verdade”, seriam necessárias apenas 1% da terra usada hoje para a pecuária e 4% da água para esses fins. Agora pasmem: 18% do total de gases estufa do planeta são emitidos no processo de produção de carne (segundo dados da FAO). Com a carne produzida no laboratório, se reduziria em 96% a emissão desses gases, além da redução de 45% da energia utilizada nesse processo.

Fonte: UnivetBrasil

O que dizem os vegetarianos e os representantes dos animais a respeito dessa carne “de mentirinha”?
A pesquisadora Helen Breewood, que atuou nesse projeto, é vegetariana mas afirma que se comesse carne iria preferir a feita em laboratório. E ressalta: “Muita gente considera carne feita em laboratório repulsiva num primeiro momento. Mas se eles soubessem o que acontece nos abatedouros para a produção de carne normal, também achariam repulsivo”.
Em nota, representantes do grupo Pessoas pela Ética do Tratamento aos Animais (People for the Ethical Treatment of Animals – Peta) ressaltaram os benefícios da carne de laboratório: “A Carne de laboratório irá favorecer o fim de caminhões cheios de vacas, frangos, abatedouros e fazendas de produção. Irá reduzir a emissão de gases de carbono, economizar água e fazer a rede de suprimento de alimentos mais segura”.

A ideia é criar alternativas para complementar a indústria de alimentos, que, por estimativas, não será capaz de suprir toda a população nos próximos 40 anos. De acordo com estimativas e projeções da ONU, em 2050 atingiremos a marca de 9,6 bilhões de humanos. Haja comida para alimentar tanta gente!

E você, trocaria a carne “de verdade” pela “carne de mentirinha” em prol de uma melhor qualidade de vida e de um tratamento mais justo aos animais?

Leia mais em RevistaGalileu, BBC, TheGuardian.

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em agosto 5, 2013, em 4 a Better World, What's up? e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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