História Natural da Terra: do supercontinente Pangeia à maior extinção em massa do Permiano

Éon: Fanerozoico
Era: Paleozóica
Período: Permiano

Imagem

O Permiano iniciou há cerca de 298 Ma e acabou há, aproximadamente, 252 Ma. Foi um dos mais importantes períodos da história do planeta, porque a vida testemunhava, o que talvez seja, o fato mais intrigante da existência da Terra, a consolidação do supercontinente Pangeia, e o mais devastador evento de extinção de toda a história, que dizimou quase toda a vida existente.

O meteorologista alemão Alfred Weneger foi o primeiro membro da comunidade científica do início do século XX a sugerir que as massas continentais um dia estiveram unidas em um supercontinente, com base em sua observação do encaixe perfeito da costa da América com a da África. Mais adiante, incrementou sua teoria comparando fósseis encontrados nas regiões brasileira e africana. Ele concluiu que estes animais não seriam capazes de atravessar o oceano que atualmente divide os dois continentes, reforçando sua ideia de que eles teriam vivido no mesmo ambiente há milhares de anos atrás. Foi dessas observações que também surgiu a ideia da deriva continental, mas isso é muito assunto e acho melhor abordarmos em outra hora.

Foi ao final do Permiano que o Pangeia finalmente se consolidara. Com as porções continentais unidas, as massas oceânicas se uniram em um gigante oceano, denominado Panthalassa. Essa ausência de água no interior do supercontinente fez com que o clima ficasse muito seco, convertendo algumas regiões do Pangeia em vastos desertos. Uma observação curiosa é que a região onde hoje localiza-se a floresta amazônica naquela época era desértica, em contraste com a região em que hoje está localizado o maior deserto do mundo, que antes era ocupada por bosques verdes e abundantes. Esse clima prejudicou o desenvolvimento das plantas e o crescimento de bosques e pântanos, o que ocasionou uma baixa de oxigênio (semelhante aos níveis atuais) e a diminuição da diversidade faunística do período.

ImagemFonte: AVPH

Os grupos de plantas mais abundantes eram as coníferas, que surgiram e se proliferaram nesse período, e as cicadáceas, das quais se destaca o extinto gênero Glossopteris. Essas plantas também foram usadas como evidência de que os continentes eram unidos em uma única porção continental, devido aos fósseis encontrados em diversas localidades do globo.

ImagemCom relação à fauna, o grupo dos répteis se diversifica e ocupam o topo da cadeia alimentar. Entre os répteis, se destacava o grupo dos Sinapsídeos, subdivididos em pelicossáurios e terapsídeos. Os pelicossauros foram os répteis que dominavam a cadeia alimentar da época. Desapareceram no evento de extinção ao final do período. Os terapsídeos foram os maiores de seu habitat, e tiveram um pouco mais de sorte, pois alguns sobreviveram à extinção Permo-Triássica. Lembrando que apesar da aparência, esses animais não são dinossauros.

ImagemNo ambiente aquático, a soberania dos tubarões continuava a imperar, e ainda haviam trilobitas, cefalópodes, braquiópodes e escorpiões marinhos. Os insetos gigantes começavam a desaparecer, pois seu tamanho se devia à abundância de oxigênio, que nesse período diminuíra drasticamente.

Extinção Permo-Triássica
Foi o evento de extinção mais devastador que a Terra presenciou até hoje. Dizimou 56% dos gêneros e cerca de 96% das espécies existentes no planeta. Dentre os extintos, destacam-se os trilobitas e alguns gêneros de sinapsidas. Dentre os que sofreram redução de biodiversidade destacam-se os grupos dos braquiópodes e dos briozoários.
A causa mais provável e mais aceita pela comunidade científica é baseada no evento de erupção vulcânica, na região da Sibéria, cuja hipótese é conhecida como Arma de Clatratos. A hipótese é de que a erupção libertou altas quantidades de CO2, aumentando a temperatura em 5 graus. Esses graus extras fizeram com que o metano contido no fundo dos oceanos sofresse reação de sublimação, escapando para a atmosfera e aumentando em mais 5 graus a temperatura do planeta. Isso afetou a biodiversidade pois esse aumento repentino de 10 graus não seria acompanhado pela evolução, causando a perda massiva de vida.

A partir do próximo post mudamos de Era. Iniciamos a Era Mesozóica e suas mudanças significativas no estilo de vida da biodiversidade. Será que os sobreviventes dessa devastadora extinção poderão respirar aliviados ou o que os espera mais adiante pode ser tão trágico quanto o que acabara de ocorrer?

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em agosto 6, 2013, em Natural Earth History e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: