O bioma Pampa não recebe a atenção que deveria

Só quem conhece coxilhas verdejantes e cerros ricos em vida sabe o quanto isso é bonito. Bem, esse vocabulário pode causar estranheza, mas se tratam de planícies e morros que moldam a paisagem dos campos sulinos, compreendidos no bioma Pampa.

Esse bioma ocupa 65% da área correspondente ao estado do Rio Grande do Sul. Em proporções nacionais, ocupa 2% do território brasileiro. Relativamente pouco, em comparação ao grande cerrado e à misteriosa amazônia. Além do território brasileiro, esse bioma também ocorre na Argentina e no Uruguai. É também nesse bioma que se concentra a maior parte do aquífero Guarani. A vegetação é predominantemente campestre, ou seja, gramíneas, herbáceas e algumas árvores perdidas no meio do campo!

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O pampa compreende um conjunto de ecossistemas muito antigo, apresentando biodiversidade própria, muitas vezes ainda desconhecida em sua totalidade pela ciência. Estimativas giram em torno de  3000 espécies de plantas, com notável diversidade de gramíneas. A fauna, também expressiva, conta com aproximadamente 500 espécies de aves, dentre elas a Ema, a perdiz, o quero-quero, o joão-de-barro e o pica-pau. A diversidade de mamíferos se aproxima de 100 espécies, cujos mais importantes são o veado-campeiro, o preá e o tuco-tuco. O ecossistema sulino conta com grau de endemismo moderado.  Trata-se de um patrimônio natural, genético e cultural de importância nacional e global. Também é no Pampa que fica a maior parte do aquífero Guarani.

No entanto, a antropização já molda a paisagem campestre, transformando o ecossistema em monocultura de árvores. Já é velho e sabido os impactos que as monoculturas causam aos ecossistemas, como, por exemplo, empobrecimento de solos e colapsos nas cadeias tróficas. O solo que molda a vegetação originária é pobre e muito suscetível à processos de erosão. As práticas que movimentam a economia do estado agravam esse problema. Estimativas revelam que hoje o bioma conta com cerca de 36% de vegetação nativa. Mais da metade já foi modificado ou degradado.

ImagemFlorestas artificiais. Fonte: Karina Toledo/FAPESP

Mas isso não é o mais alarmante. O que realmente me pergunto é porquê esse bioma não recebe a devida proteção e atenção que merece? Somente 0,4% do bioma encontra-se protegido em áreas de conservação federais. Em números, isso equivale 4, QUATRO, unidades de conservação. E tem mais, são apenas 2 de proteção integral: Estação Ecológica do Taim e Parque Nacional Lagoa do Peixe. As outras duas,  Área de Proteção Ambiental do Ibirapuitã e Área de Relevante Interesse Ecológico Pontal dos Latinos e Pontal Santiago são modalidades de proteção de uso sustentável, ou seja, não recebem a fiscalização que deveriam. As unidades Estaduais são compostas de 7 unidades, de ambas modalidades (integral e sustentável).

ImagemAPA do Ibirapuitã. Fonte: Panoramio

Este ecossistema está entre os menos protegidos do planeta.

Há algo errado: sim ou claro?

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em agosto 30, 2013, em 4 a Better World e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Bom dia,

    Neste post há uma referência de fonte indicando o Indisce. Na verdade a fonte correta é o texto publicado no site da Agência Fapesp, de autoria de Karina Toledo. O link é http://agencia.fapesp.br/17032

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