Queimada Grande: a ilha paulista considerada uma das mais perigosas do mundo, mas que nos dá uma aula de evolução

AVISO IMPORTANTE
Se você tem fobia de cobras eu sugiro parar de ler por aqui!

Conhecida como Ilha das Cobras, a Ilha da Queimada Grande fica a 35 km do litoral paulista e é considerada uma das mais perigosas do planeta. Por que? Simples. Estima-se que na ilha tenha uma população de cinco serpentes por metro quadrado de uma espécie conhecida como jararaca-ilhoa, Bothrops insularis, uma das mais venenosas do mundo. Além disso, a ilha é inabitada e o desembarque é proibido. O acesso só é permitido a cientistas.

Ilha-de-Queimada-Grande-02

No entanto, meus caros, o que chama atenção nessa ilha é a aula de evolução que ela nos dá. Sendo assim, vamos aos fatos.

Em evolução, chamamos o evento que dá origem a uma nova espécie de especiação. A especiação pode ser, alopátrica, simpátrica ou parapátrica.
Especiação alopátrica ocorre quando uma barreira geográfica divide uma população, impedindo o fluxo gênico.
Especiação simpátrica ocorre sem que haja separação geográfica. É um tipo raro de especiação que ocorre quando duas populações de uma mesma espécie vivem em uma mesma área, mas não ocorre cruzamento entre as populações, em decorrência de alguma modificação genética impediu esse intercruzamento.
Especiação parapátrica ocorre quando duas populações de uma mesma espécie diferenciam-se e ocupam áreas contíguas ecologicamente distintas. O intercruzamento é possível com geração de prole híbrida.

A ilha de Queimada Grande teria se formado há 55 milhões de anos, em um desdobramento das origens da Serra do Mar. No término da última glaciação da Terra, entre 10 mil e 12 mil anos atrás,  a área acabou cercada pelo mar, em decorrência da elevação no nível dos oceanos. A maioria dos animais migrou para o continente. Os demais, impossibilitados de nadar, ficaram ilhados, sobrevivendo apenas aqueles que puderam se adaptar às condições da ilha.

A população de serpentes, que provavelmente eram da mesma espécie do continente – Bothropoides jararaca –, ficou ilhada. Sem suas presas usuais, geralmente pequenos mamíferos, as cobras precisaram recorrer às aves, a principal presa disponível.  Essa mudança brusca de padrão alimentar forçou alterações no comportamento, como a adaptação à vida arborícola (em cima das árvores). Além disso, ocorreram mutações genéticas que foram selecionadas pelo ambiente ao longo dos anos e que desenvolveram toxinas mais poderosas, com veneno de 15 a  20 vezes mais forte que o da jararaca do continente. Isso deveu-se ao fato de que para matar aves era preciso um veneno eficaz, capaz de paralisar a presa com uma só picada, do contrário a ave voaria para longe. Originou-se, assim, a Bothrops insularis, ou a jararaca-ilhoa.

jararaca

Os eventos que você acabou de ler descreve uma especiação alopátrica, onde uma barreira geográfica isolou populações de uma mesma espécie e estas sofreram diferentes pressões, que com o  passar do tempo, fizeram com que ocorresse uma divergência genética e, consequentemente, o isolamento reprodutivo.

DEATH FACTS: O veneno da jararaca-ilhoa é tão potente que ao entrar na circulação de uma pessoa, a mata em questão de poucas horas, pois provoca falência múltipla dos órgãos. Além disso, a ação enzimática faz com que a área da mordida…derreta!

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Fotos: NatGeo

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em julho 11, 2014, em Funny Time e marcado como . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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