E o apêndice, pra que serve? Pra inflam- PERAÍ!!!

A maioria de nós conhece alguém que teve de fazer a cirurgia de retirada do apêndice. De fato, é uma complicação recorrente, mas que pode ser mortal se não atendida a tempo.

Para Leonardo da Vinci, o apêndice funciona como uma “válvula de escape” para o excesso de vento, o que evitaria uma explosão intestinal! Para a maioria das pessoas é uma parte do corpo completamente inútil que só mostra sua presença quando inflama.

Ele tem SIM uma função.

O tão temido e injustiçado apêndice vermiforme é uma parte do intestino que é oca, estreita [parece um dedo mindinho] e com um fundo cego. Durante o desenvolvimento embrionário, o apêndice do bebê em desenvolvimento serve como um centro de treinamento para que células imunes aprendam a identificar organismos ruins e a tolerar os microrganismos prejudiciais. Alguns cientistas estudaram a estrutura do apêndice e notaram  a presença de um tecido linfóide que é capaz de reconhecer coisas estranhas presentes nos alimentos ingeridos e, de alguma forma, sinalizar o sistema imune.

Um estudo publicado por cientistas da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, também aponta o apêndice como estrutura de proteção, onde este é usado como um depósito de bactérias benéficas ao organismo. Por exemplo: após uma diarreia bem “tensa”, que fez o indivíduo bancar o rei do banheiro, ou após algum tipo de ataque no intestino grosso, a nossa microbiota intestinal pode ser dizimada. É aí que entra o papel do apêndice. Ele libera as bactérias benéficas para o nosso intestino com o intuito de restabelecer a função e ocupar o território antes que bactérias patogênicas o façam.

APENDICEFoto: PortugalMundial

Em outros animais, como no Koala [conhecido por ter o maior apêndice], a estrutura, além de fazer a função dos seres humanos, também guarda microrganismos capazes de quebrar a celulose. Logo, muitos animais herbívoros possuem um apêndice de tamanho adequado e com função definida: ajudar na digestão das plantas, das raízes e dos frutos que consomem.
Evolutivamente falando, o homem, outrora, também possuiu um apêndice tão desenvolvido quanto o dos demais animais. Quando os ancestrais da espécie humana eram apenas herbívoros, o apêndice desempenhava essa função e, provavelmente, apresentava um tamanho maior e não apenas vestigial. Porém, a mudança da alimentação para uma dieta onívora, o órgão perdeu a função principal e atua mais como estrutura vestigial de defesa.

Contudo, todavia, no entanto, entretanto, não é por ter essa função que você deverá se recusar a extrair o apêndice se isso for preciso. Apesar de desempenhar uma função, o corpo humano tem meios de substituir essa função e manter seu corpo saudável. Como mencionado, a não retirada do apêndice quando este “adoece” pode acarretar em óbito, pois quando o apêndice estoura, muita inflamação extravasa para a cavidade abdominal, causando uma infecção ainda maior.

Leia mais em Scientific American Brasil e em Green Savers.

Sobre Anita Burgan

Anita Burgan é uma bióloga que continua a cada dia mais fascinada com esse mundo que nos cerca. Gosta de escrever sobre aquilo que lê diariamente, principalmente assuntos relacionados à biologia e ao meio ambiente. Fã de uma generosa caneca de café (misturado com água, [estranho hábito que seus amigos reprovam]), de bons livros e de conversas aleatórias. Possui peculiaridades, como medo de louva-a-deus, adoração por pipoca com chocolate, além da capacidade de imitar a Marília Gabriela!

Publicado em fevereiro 11, 2015, em Funny Time, Old but Gold, Vestibular e marcado como , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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